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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Exibidas pegadas de dinossauro de 240 mi de anos


Pegadas de dinossauro com mais de 240 milhões de anos foram apresentadas pelo museu regional da cidade de Halle, a 150 km de Berlim, na Alemanha, informa a agência EFE. Os paleontólogos consideram os rastros como os maiores e mais antigos descobertos até agora.

Entre o material exposto está uma peça de 25 m de comprimento, com 34 marcas impressas das patas dianteiras e traseiras, que o paleontólogo Cajus Diedrich acredita que sejam de um animal com 6 m de altura e cerca de 800 kg.
A equipe do professor Diedrich encontrou os primeiros fósseis em outubro de 2007. A partir disso, novos rastros foram achados em escavações realizadas nos meses de junho e julho.
Redação Terra

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

pterossauro gigante

O Brasil acaba de ganhar e perder uma nova espécie de pterossauro gigante. O réptil voador, que media 5 metros de uma ponta da asa à outra, viveu há 115 milhões de anos na região onde hoje é a chapada do Araripe, no Ceará. E seu fóssil, descrito por um pesquisador britânico, foi provavelmente contrabandeado e acabou indo parar num museu alemão. Ilustração mostra como seria o Lacusovagus magnificens, que viveu no Estado do Ceará Mark Witton, doutorando em paleontologia da Universidade de Portsmouth, desengavetou o fóssil quase por acaso, e tirou a sorte grande. "O espécime foi emprestado do Museu de História Natural de Karlshue há vários anos e ficou na minha mesa. Passei-o para o Mark achando que fosse ser um bom treino para ele", conta David Martill, orientador de Witton. "Acabou que era um novo pterossauro", continua. O material consistia apenas na ponta da mandíbula. Foi o suficiente para Witton descobrir que se trata de um gênero novo dos azhdarcóideos, uma subdivisão da ordem dos pterossauros à qual pertenceu o Quetzalcoatlus, o maior ser vivo que já voou sobre a Terra (com incríveis 14 metros de envergadura). O animal cearense foi batizado Lacusovagus magnificens, ou "andarilho gigante do lago", em latim. É o pterossauro gigante mais antigo já descoberto no Brasil. Tinha o mesmo tamanho do Thalassodromeus sethi, bicho de crista enorme encontrado em rochas um pouco mais recentes na mesma região. O local em que o animal vivia era uma imensa laguna rasa. Hoje ela corresponde às rochas calcárias do membro Crato, uma das principais jazidas de fósseis do mundo. Como a maioria do pterossauros da região, o L. magnificens provavelmente se alimentava de peixes. O animal descrito por Witton na última edição do periódico científico "Palaeontology" também chamou a atenção por sua semelhança com espécies da formação Jiufotang, na China. Ali também já haviam sido encontrados, no passado, pterossauros de dois grupos descritos originalmente no Araripe: os anhanguerídeos e os tapejarídeos. "Com a publicação do Lacusovagus são reforçados a relação e o intercâmbio de fauna entre esses dois depósitos", afirma o biólogo Hebert Bruno Campos, que estuda pterossauros do Ceará. Como essa distribuição aconteceu e em que época ainda não está claro. 'Mas provavelmente foi algo semelhante ao que acontece com determinadas aves, como os psitacídeos [papagaios e periquitos] atuais, encontrados em vários continentes', diz Campos. Prejuízo Martill diz não saber como o fóssil foi parar na Alemanha. Mas aquele país é um dos destinos mais comuns de fósseis do Brasil (o próprio Martill descreveu um dinossauro, o Irritator, cujo crânio havia sido levado para um museu alemão). A legislação brasileira determina que fósseis de interesse científico só podem ser retirados do país em convênio com instituições nacionais ou com autorização do DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral). O DNPM nunca deu uma autorização do tipo. Anos atrás, a Polícia Federal prendeu e depois soltou um comerciante de fósseis alemão suspeito de contrabandear espécimes para a Europa. "Há espécimes brasileiros em muitos museus aqui na Europa. Acho que todas as aquisições mais recentes devem ter sido contrabandeadas, a menos que haja uma permissão bem documentada", diz Martill. Segundo Campos, Karlshue abriga "inúmeros" espécimes de pterossauros e dinossauros provenientes do Araripe. "São fósseis únicos e em estado de preservação excepcional", diz. A melhor forma de coibir o prejuízo científico causado pelo comércio ilegal de fósseis, segundo o biólogo, é "investir em paleontologia no Brasil".

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

maior roedor do mundo


Uma equipe de cientistas uruguaios anunciou o descobrimento de restos fossilizados do maior roedor conhecido do mundo.

De acordo com artigo publicado na revista especializada britânica Proceedings of the Royal Society, Biological Sciences, os pesquisadores calculam que o animal, que batizaram de Josephoartigasia monesi, pesava quase uma tonelada.
O crânio do roedor, que mede cerca de 50 cm de comprimento, foi descoberto por um paleontologista amador há vários anos, na região do Rio da Prata.
O fóssil permaneceu durante três anos no Museu Nacional de História Natural e Antropologia, na capital uruguaia, Montevidéu, até que fosse analisado.
Acredita-se que o animal, cujo tamanho pode ter sido semelhante ao de um hipopótamo moderno, viveu há cerca de 4 milhões de anos.Vegetariano
Os dentes mediam vários centímetros de comprimento, mas tudo parece indicar que se tratava de um animal vegetariano.
"Muita gente pensa que os ratos são animais horríveis", disse Rudemar Ernesto Blanco, um dos integrantes da equipe chefiada pelo biólogo Andrés Rinderknecht.
"Mas acho que este roedor se parecia mais com uma capivara sul-americana", acrescentou.
A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) é o maior roedor dos nossos dias, mas é muito menor do que o seu possível parente pré-histórico: tem apenas 1,5 m de comprimento e só chega a pesar cerca de 60 kg

maior conjunto de fosseis descobertos na china

Um grupo de paleontologistas encontrou no leste da China o que acredita-se ser um dos maiores conjuntos de fósseis de dinossauros localizados até hoje no planeta, incluindo os ossos de um enorme ornitorrinco, informa a imprensa estatal.
Os cientistas descobriram 15 zonas ao redor da cidade de Zhucheng, na província de Shandong, que contêm milhares de ossos de dinossauros, destaca o jornal Beijing News.
"Este grupo de fósseis de dinossauros é o maior já encontrado no mundo em termos de área", afirmou Zhao Xijin, paleontologista da Academia Chinesa de Ciências.
Em uma área de 300 por 10 metros foram localizados mais de 3 mil ossos, segundo a imprensa. Desde o início dos trabalhos, em março, os cientistas retiraram mais de 7,6 mil ossos, incluindo os do maior ornitorrinco conhecido até hoje: um exemplar de nove metros de altura com uma envergadura superior a 16 metros.
Zhao explicou que a descoberta de tantos dinossauros em uma mesma zona pode fornecer pistas sobre a extinção destes animais, ao fim do período cretáceo, há 65 milhões de anos.
Nesta região da China já foram encontradas mais de 50 toneladas de fósseis de dinossauros desde 1960.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Fóssil de dinossauro carnívoro gigante é descoberto


Uma nova espécie de dinossauro carnívoro descoberto na província de Rio Negro, no norte da Patagônia argentina, em rochas de 70 milhões de anos, foi apresentado nesta quarta-feira no Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, em Buenos Aires.O exemplar foi encontrado graças a uma exploração financiada pela prestigiada National Geographic Society, coordenada pelo paleontólogo Fernando Novas, que fez a apresentação do fóssil à imprensa. O anúncio da descoberta coincide com a publicação de um artigo científico na revista Proceedings of the Royal Society of London.
Os restos do dinossauro, batizado "Austroraptor cabazai", foi descoberto no Baixo de Santa Rosa, onde já haviam sido documentados ossos de grupos de dinossauros herbívoros.
A importância da nova espécie é proporcional a seu tamanho, já que o "Austroraptor cabazai" é um dos maiores raptors já catalogados em todo o mundo. Além disso, a espécie é um dos últimos dinossauros que habitaram a Patagônia, poucos milhões de anos antes da grande extinção do fim do período Cretáceo.
O "Austroraptor cabazai" media cerca de cinco metros de altura, apresentava braços proporcionalmente curtos e possuía um crânio achatado e largo, com uma mandíbula de dentes pontiagudos. Uma cópia em resina de poliéster do esqueleto reconstruído da nova espécie de réptil pré-histórico passará a fazer parte de uma exposição de dinossauros argentinos, que será montada na Europa em 2009, informou a nota oficial.

domingo, 23 de novembro de 2008

Urina de dinossauro quase vira calçada em SP


Os dinossauros urinavam? A pergunta parece simples e certamente geraria uma resposta rápida da maioria das pessoas: é claro. Mas, até 2003, não existia nenhuma prova científica que justificasse tal afirmação. Não existia, pois o paleontólogo e professor Marcelo Adorna Fernandes, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e sua equipe descobriram, em Araraquara, no interior de São Paulo, uma amostra batizada de Urólito, dos radicais gregos Uro - urina e Lithos pedra, ou urina de pedra.
A prova foi encontrada durante a retirada de placas de arenito da pedreira São Bento, em Araraquara. A descoberta ocorreu quando o pesquisador fazia um trabalho no local buscando icnofósseis - pegadas e vestígios de seres pré-históricos deixados em rochas fossilizadas. As camadas sobrepostas de arenito - que mantém os icnofósseis - eram retiradas na utilização de placas em calçadas em uma cidade vizinha.
Para Fernandes, a região de Araraquara era habitada por um dinossauro denominado Ornitópode, batizado de pés de aves. Acreditava-se que o animal medisse até 5 m de comprimento com cerca de 3 m de altura. "Achamos que esse Ornitópodo foi que deu origem ao urólito", diz o paleontólogo. A pesquisa sobre a urina do dinossauro foi acompanhada pela bióloga Luciana Fernandes, da UFSCar, e pelo geólogo Paulo Roberto Souto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A prova da urina trata-se de duas estruturas, cada um com 34 cm de comprimento - com pequenas crateras elípticas de escavação - provocadas pelo impacto de líquido em queda, com sedimentos depositados pela ação da gravidade em um plano inclinado. Para o pesquisador, não há como confundi-las com pegadas que têm como marca uma elevação semelhante a uma meia-lua nas bordas. Além disso, o material pode ter sido conservado porque os dinossauros Ornitópodes (herbívoros bípedes) e terópodes (carnívoros) caminhavam pelas dunas do paleodeserto compactando a areia.
O teste feito com a areia da própria pedreira mostra claramente que a marca encontrada é um líquido. Mas como provar que esse líquido era urina? Para Fernandes, é muito simples. A chuva não acumulava em um ponto único dessa maneira na areia e, naquela época, não existiam árvores com folhas capazes de reter a água da chuva possibilitando essa queda brusca ao chão. "Estudos referentes à 'palcofauna' da região atestam a presença de pequenos mamíferos e de dinossauros. Assim, o urólito só poderia ter sido provocado por animais de médio ou grande porte como os dinossauros".
Antes, os paleontólogos acreditavam que os dinossauros excretassem em forma sólida. Agora, existe prova de que eles urinavam líquido. Segundo o paleontólogo, biologicamente também já fora comprovado que alguns dinossauros evoluíram para as aves. "Se os compararmos com um avestruz, que é uma ave e urina, o processo faz sentido. É que o avestruz tem uma espécie de bexiga que armazena uma estrutura para absorção de líquido. Quando tem abundância de água, ele elimina esse excesso em forma de urina. Pode ser que esses dinossauros, em um ambiente desértico, poderiam ter a mesma capacidade".
A peça estava depositada na casa do professor e deve fazer parte de um museu a ser criado na região. Pesquisadores de países da América do Sul, Europa, Oceania, Ásia e Estados Unidos ainda procuram informações sobre a pesquisa atestada pela Revista Brasileira de Paleontologia.
A região de Araraquara fez parte do maior deserto de areia da história geológica do Planeta. No final do período jurássico e início do cretáceo, há aproximadamente 140 milhões de anos, a região que vai do Sul de Minas Gerais até o Uruguai foi uma zona desértica de 1,5 milhão de km quadrados.Essa região era povoada por vertebrados e invertebrados, cujos rastros são pesquisados pela equipe do paleontólogo Marcelo Fernandes.

Achado fóssil de Tarbossauro de 70 milhões de anos


O esqueleto quase completo de um dinossauro carnívoro de cinco anos de idade, chamado de Tarbossauro, parecido com o famoso Tiranossauro, foi encontrado por pesquisadores japoneses e mongóis no deserto de Gobi, ao sul da Mongólia, informa a agência EFE. O fóssil tem mais de 70 milhões de anos e pertencem ao período Cretáceo, na era Mesozóica.Acredita-se que o animal era jovem devido aos 2 m de largura que possui o fóssil, já que a espécie podia alcançar quase 2 m e pesar até 6 t. Segundo os especialistas, o achado demorou para ser divulgado por causa da dificuldade de se extrair cada pedaço. Mais de mil horas de trabalho foram necessárias.
O descobrimento foi realizado por pesquisadores japoneses da empresa de biotecnologia Hayashibara, que dirige o Museu de Ciências Naturais e a Academia de Ciência da Mongólia.
"É um achado muito importante por ser muito raro de se encontrar um esqueleto assim, com ossos pequenos que poucas vezes se convertem em fósseis", explicou um porta-voz do museu, na província de Okayama, no Japão. Ele assegurou que é a primeira vez que se descobre um esqueleto tão bem conservado de um Tarbossauro de cinco anos de idade, do qual se recuperou 80% da ossada. "Só faltava a parte do pescoço e da cauda", completou.
O Tarbossauro era um carnívoro que habitava o deserto de Gobi e que, como o Tiranossauro, foi um dos últimos sobreviventes dos dinossauros, extintos há 65 milhões de anos.

Dente gigante é descoberto em destroços

Um dente gigante foi descoberto por dois paleontólogos nos destroços de uma casa que desabou no Estado do Texas durante a passagem do furacão Ike pelos Estados Unidos, informa o site do jornal britânico The Guardian. Os cientistas acreditam que o fóssil - do tamanho de uma bola de futebol americano e mais de 2,5 kg de peso - seja de um mamute, espécie comum na América do Norte há 10 mil anos.O pesquisador Dorothy Sisk, da Universidade de Lamar, e o colega Jim Westgate, da Universidade do Texas, haviam retornado à praia de Caplen, na Península de Bolivar, para avaliar os danos causados pelo Ike na residência de Sisk.
Eles se depararam com o dente gigante enquanto inspecionavam uma área coberta por entulhos em frente ao jardim. "Achamos o fóssil jogado entre os escombros do pátio frontal da casa, ou naquilo que sobrou da residência", explicou Westgate.
Segundo Westgate, eles nunca tinham visto um dente do tipo em tão boas condições. "Este é o primeiro que encontro em 19 anos", completou.
Agora, o fóssil será levado ao Memorial Museu do Texas, que fica na cidade de Austin, onde será analisado antes de ser exibido ao público.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Pegadas em lago indicam que grandes dinossauros nadavam

Os dinossauros, ou pelo menos alguns deles, podiam de fato nadar, indicam marcas descobertas por uma equipe de cientistas europeus no fundo de um lago na Espanha.Liderado por Ruben Ezquerra, da Fundação do Patrimônio Paleontológico de La Rioja, na Espanha, o estudo foi publicado na edição de junho do jornal científico americano Geology.A suspeita de que os gigantescos animais pré-históricos nadavam já existia, mas até então os indícios não eram conclusivos. Havia vestígios da passagem de dinossauros tão grandes como o Diplodocus pelo fundo de lagos, mas não se sabia se eles ficavam suspensos na água ou simplesmente entravam nos lagos.Desta vez, no entanto, os cientistas dizem que as marcas encontradas no que foi um dia o fundo de um lago na Bacia de Cameros, na Espanha, não deixam dúvida."Quando você vê pegadas, dá para realmente reconhecer um pé no chão. Mas neste caso nós temos apenas séries de sulcos - longos sulcos de 60 centímetros, por exemplo - que são realmente característicos do corpo do animal sendo sustentado pela água", afirma Loic Costeur, paleontólogo da universidade francesa de Nantes e co-autor do estudo.125 milhões de anos - Foram encontradas 12 marcas consecutivas divididas em seis pares assimétricos que, segundo os cientistas, datam de 125 milhões de anos atrás."As marcas são muito peculiares na forma e na morfologia", disse Costeur. "Elas não se parecem em nada com pegadas." Agora visíveis na superfície, essas marcas teriam sido deixadas por um dinossauro nadando e arranhando o fundo do lago com as suas pernas traseiras.Embora não saibam que espécie de dinossauro deixou as marcas, os cientistas acreditam que se tratava de um tipo carnívoro de grande porte e com duas longas pernas traseiras e dois braços pequenos, do grupo do Tiranossauro Rex.Costeur diz que outras descobertas desse tipo são necessárias para estabelecer se espécies herbívoras de dinossauros também podiam nadar.

Cientistas decifram genoma do mamute e já falam de 'ressuscitá-lo'

Os mamutes estão voltando, e o maior passo já dado para ressuscitar esses animais extintos durante a Era do Gelo foi comunicado nesta quarta-feira (19) por um grupo internacional de cientistas. A equipe conseguiu decifrar 70% do genoma do bicho - as letrinhas que compõem a receita genética para recriá-lo.O feito só pôde ser obtido graças a avanços recentes nas técnicas de leitura de DNA, que ao longo dos últimos 15 anos transformaram a decifração de genomas de missão hercúlea e bilionária a procedimento quase banal de processamento de dados.Os resultados dão a medida exata do avanço tecnológico: as amostras de DNA de mamute estavam fortemente degradadas, tiradas do pêlo de indivíduos que morreram cerca de 20 mil anos atrás e foram preservados no gelo. "Não havia cromossomos intactos na amostra de mamute", revelou ao G1 Stephan Schuster, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, pesquisador que liderou o estudo, publicado na edição desta semana da revista científica britânica "Nature". "Todos os pedaços de DNA tinham apenas 100 a 150 pares de base cada um."De grão em grão, no entanto, o mamute enche o papo. Juntando todos os pedacinhos, os cientistas "leram" mais de 4,1 bilhões de letras de DNA. Mas entraram aí também pedaços de genes que não pertenciam ao mamute, mas a contaminações de bactérias. Depois de um esforço de análise, constataram que 3,3 bilhões de letras de fato pertenciam ao genoma do mamute.Restava colocar essas letrinhas na ordem correta. E os cientistas fizeram isso tomando por base o genoma do elefante africano, um parente próximo do animal extinto. No final, concluíram a tarefa constatando que possuíam cerca de 70% do genoma completo do mamute.Não é batatinha. Até outro dia, ninguém acreditava que isso fosse possível. E mais: os pesquisadores vão continuar trabalhando, para atingir a meta dos 100%.Conclusões - Os resultados mostram algumas curiosidades sobre a evolução dos mamutes. Aparentemente, seu genoma é muito, muito parecido com o do elefante africano - uma diferença de apenas 0,6%. É apenas metade da diferença encontrada entre o genoma humano e o do chimpanzé.Apesar disso, os pesquisadores acreditam que a época em que viveu o ancestral comum do elefante moderno e do mamute foi mais ou menos a mesma em que viveu o "elo perdido" entre chimpanzés e humanos. Isso, na prática, quer dizer que o ritmo de mutações do genoma da família dos elefantes é bem menor do que o dos primatas. Para estabelecer essas comparações, os pesquisadores colocaram lado a lado os segmentos obtidos do genoma do mamute com o genoma seqüenciado de James Watson - o polêmico cientista americano que foi co-descobridor da estrutura do DNA, na década de 1950. "Ambos indivíduos parecem ter grandes personalidades", brinca Schuster.Outra coisa interessante antevista pelos cientistas é a possibilidade de estudar diferenças genéticas entre dois mamutes. No atual estudo, eles trabalharam com amostras de dois animais diferentes. O grupo especula que será possível investigar até mesmo possíveis sinais genéticos que expliquem a extinção dessas criaturas.Revertendo a extinção - A perspectiva mais empolgante, entretanto, é a de no fim das contas usar a informação genômica obtida para promover a "ressurreição" dos mamutes.Ao ser questionado sobre a possibilidade de fazer isso, Schuster se mostra otimista. "Sim, é possível, porque com nossos dados alguém pode fazer engenharia reversa num genoma de elefante, introduzindo as mudanças características do mamute. Isso depois seria introduzido num embrião, que seria implantado numa elefoa, que serviria de barriga de aluguel", afirma o cientista.Por ora, entretanto, o grupo está focado em extrair mais informações genômicas de outros animais extintos. "Nós já provamos que isso funciona para muitas espécies", afirma Schuster. "Logo publicaremos esses novos trabalhos."

descoberta nova floresta fossil

Cientistas americanos e britânicos anunciaram ter descoberto novas florestas fósseis de 300 milhões de anos em minas de carvão em Illinois, nos Estados Unidos.A antiga vegetação, hoje transformada em rocha, é remanescente das primeiras florestas tropicais do mundo, que passaram pelo período em que o planeta se aqueceu e deixou a chamada Era do Gelo. Os pesquisadores dizem acreditar que o estudo da dinâmica da antiga vegetação pode fornecer elementos para compreender como as florestas modernas reagirão à elevação da temperatura da Terra.Os detalhes foram apresentados pelo paleontólogo Howard Falcon-Lang, da Universidade de Bristol, em um evento sobre aquecimento global na Inglaterra."O fascinante é que descobrimos que estas florestas entraram dramaticamente em colapso em um período que coincidiu com o aquecimento global", disse Falcon-Lang.Ecossistema diferente - O paleontólogo afirma que, há 300 milhões de anos, a Terra passava de seu estado frio, com grandes blocos de gelo, para um estado caracterizado por um clima quente e sem gelo."O mais interessante é que as florestas (que descobrimos) datam de antes e depois desse período, então podemos ver como as primeiras florestas do nosso planeta responderam ao aquecimento global", diz o cientista. "A floresta que existia antes do aquecimento é dominada por árvores de musgo altas, gigantes", acrescenta. "Depois, essas florestas mudam completamente.""Todo o sistema entra em colapso e se reorganiza, é substituído por uma vegetação de samambaias e ervas, um ecossistema completamente diferente", completa Falcon-Long.Comparações - Segundo a equipe liderada pelos pesquisadores, algumas das florestas chegam a se espalhar por 10 mil hectares - o tamanho de uma cidade.Eles já haviam anunciado uma descoberta semelhante no ano passado. De lá para cá, outras cinco florestas foram descobertas.Os cientistas disseram ter encontrado as florestas em camadas, umas sobre as outras. Para eles, o terreno antigo experimentou repetidos períodos de subsidência e inundações, que enterraram as matas em uma seqüência vertical.A vegetação se tornou visível por conta da extensa atividade mineradora na área entre os Estados de Illinois, Indiana e Kentucky. Os pesquisadores dizem que o próximo passo da pesquisa é definir com mais precisão os períodos em que os eventos geológicos ocorreram, caracterizando as condições ambientais exatas da época. Só então será possível comparar os fatores que precipitaram o antigo colapso com as circunstâncias modernas."Sabemos que houve aquecimento global, sabemos que as florestas tropicais colapsaram em resposta, mas ainda não entendemos o que causou este colapso", diz Falcon-Long."Vamos nos próximos cinco anos voltar e tentar chegar a uma boa resolução", acrescentou. "Primeiro, para saber a rapidez com que essas florestas entraram em colapso - uma década, cem anos, mil anos?""Também queremos saber as condições da atmosfera: se houve mudanças na atmosfera, se os níveis de dióxido de carbono estavam se elevando na atmosfera como estão hoje, e se isso estava precipitando o colapso das matas tropicais.
Uma equipe de paleontólogos alemães descobriu em uma pedreira da cidade de Obernkirchen, no estado alemão da Baixa Saxônia (norte), pegadas de um dinossauro depredador da família dos velociraptores, as primeiras encontradas na Europa.Annette Richter, paleontóloga do Museu Estadual da Baixa Saxônia em Hanover, ressaltou que em apenas seis lugares no mundo foram encontradas pegadas e restos de velociraptores, mas em nenhum há tantos registros quanto em Obernkirchen."Esta é a prova de que esse tipo de dinossauro com características comuns às aves tiveram também seu epicentro na Europa e não só na Ásia", disse a especialista, que explicou que foram achadas 49 pegadas desse dinossauro, que ficou famoso com o filme "Parque dos Dinossauros", de Steven Spielberg.A equipe alemã encontrou até agora pegadas de seis tipos diferentes de dinossauros, entre elas várias de iguanodonte, uma espécie vegetariana.O iguanodonte viveu há cerca de 100 milhões de anos durante o Jurássico, atingia dez metros de altura e pesava ate 4 toneladas

Pesquisador acha minidinossauro em meio a gigantes

Um pesquisador canadense descobriu o que teria sido o menor dinossauro da América do Norte, um animal insetívoro, do tamanho de uma galinha, que viveu há 70 milhões de anos.O estranho "Albertonykus borealis" tinha alguns traços de ave, como as pernas finas, as mandíbulas em forma de pinça e os braços avantajados, com garras poderosas.Seus ossos foram achados em 2002 perto de Red Deer ("cervo vermelho"), na província de Alberta, junto a cerca de 20 esqueletos da espécie Albertossauro. Até agora, havia passado despercebido.Trata-se de um novo membro da família Alvarezsauridae, até agora restrita à América do Sul e Mongólia, segundo Nick Longrich, paleontólogo da Universidade de Calgary.Migração - A descoberta ajuda a comprovar que os dinossauros migraram da parte inferior do Hemisfério Ocidental para a Ásia, segundo Longrich. Sua pesquisa sobre o "Albertonykus" está publicada na revista Cretaceous Research."A maioria dos dinossauros sobre os quais sabemos - coisas como o tiranossauro, carnívoros gigantes, ou o tricerátops, grandes herbívoros - são grandes. Esta coisa é muito pequena, cerca de 2,5 pés de comprimento, e achamos que está fazendo algo muito diferente: achamos que pode na verdade ter sido um insetívoro", disse.O bicho não escavava, como a toupeira. Suas características têm semelhança com os tamanduás, e Longrich arrisca que ele rachava troncos para desfrutar de cupins e besouros."Trata-se de um dinossauro fazendo o que antes não tínhamos muita evidência de que fazia", acrescentou.Segundo Longrich, esse dinossauro deveria ser presa de espécies maiores, como o albertossauro e o velociráptor, que seriam capazes de capturar essa veloz criatura."Nos fala um pouco sobre como esses dinossauros estavam se dispersando pelo ambiente, e acho que uma das coisas que também enfatiza é que ainda há muito esperando para ser descoberto", diz Longrich.

Grupo acha dinossauro com sistema respiratório de ave

Cientistas anunciaram na segunda-feira (29) a descoberta do fóssil de um dinossauro carnívoro com um sistema respiratório semelhante ao de aves modernas. O animal fortalece a ligação evolutiva entre os dois grupos e ajuda a explicar por que pássaros respiram de maneira tão diferente dos outros vertebrados.Ossos fossilizados do animal de 85 milhões de anos foram encontrados às margens do rio Colorado, na província de Mendoza, na Argentina.Os argentinos e americanos autores da descoberta batizaram o dinossauro com o nome científico Aerosteon riocoloradensis.Um estudo na revista "PLoS One" descreve o fóssil em detalhes.O animal tinha uma estrutura óssea que deveria abrigar bolsas de ar, que funcionavam como um fole, bombeando ar para os pulmões.

estudos dizem que pterossauros nao voavam

Os pterossauros, pré-históricos répteis com asas, não podiam voar, segundo um cientista japonês que afirma que os animais que pesavam mais de 40 quilos eram incapazes de se manter no ar.
A revista científica britânica "New Scientist" explica na edição de quarta-feira (1°) a hipótese do professor Katsumi Sato, da Universidade de Tóquio, que jogaria por terra a crença de que os pterossauros, que poderiam pesar 250 quilos, eram um tipo de dragões que cruzavam os céus há 200 milhões de anos.Sato chegou a esta conclusão após estudar o vôo de 28 aves de cinco espécies diferentes nas ilhas Crozet, entre Madagascar e a Antártica.O cientista colocou pequenos acelerômetros - dispositivos que medem a aceleração e a força da gravidade - nas asas dessas aves, entre as quais se encontrava o albatroz-errante, a maior espécie capaz de voar na atualidade.Ao contrário dos perus, cujas asas curtas são boas para uma decolagem rápida, mas não para voar, este albatroz - que pesa cerca de 22 quilos - é capaz de cruzar longas distâncias de forma dinâmica por usar as correntes de ar para se movimentar, e não suas asas.Quando o vento diminui, ou sopra a uma velocidade constante, as aves têm que agitar suas asas, ou a resistência do ar e a gravidade as faria cair.Sato descobriu que cada espécie voadora usa as asas em duas velocidades diferentes: rapidamente, para decolar, e devagar, para se manter no ar quando não há vento.Segundo o cientista japonês, a velocidade máxima à qual um animal pode bater suas asas está limitada pela força dos músculos e diminui nas espécies mais pesadas de longas asas.Por isso, Sato assegura que os animais com mais de 40 quilos seriam incapazes de bater as asas suficientemente rápido para permanecer no ar.Uma ave com cerca de 40 quilos, explica, não teria margem de segurança suficiente para voar com mau tempo.Esta hipótese não agradou aos paleobiólogos que tentam reconstituir o vôo dos pterossauros, porque acreditam que esses eram voadores dinâmicos.No entanto, devido à sua envergadura, de mais de 15 metros, poderiam ter pesado mais de 250 quilos, algo que os situa fora do limite estabelecido por Sato.Em resposta a isto, o cientista do Johns Hopkins Medical School de Baltimore (EUA) Mike Habib indica que, apesar de esse umbral ser "problemático", no caso dos pterossauros é preciso levar em conta as características anatômicas, fisiológicas e o meio ambiente no qual esses animais viviam

Estudo diz que T-Rex era o dinossauro com melhor olfato

O Tiranossuro rex foi o dinossauro com melhor olfato entre todos os seus congêneres carnívoros, descoberta que deixa em segundo plano sua reputação de carniceiro.É a conclusão dos pesquisadores Darla Zelenitsky, da Universidade de Calgary, e François Therrien, do museu Royal Tyrrell em Alberta, no Canadá, após determinar o volume e a forma do bulbo olfativo de vários dinossauros bípedes que habitaram a Terra no período Jurássico, há entre 200 milhões e 145 milhões de anos.Além do T-Rex, entre os terópodes estudados incluíam raptores, ornitomimossauros (lagartos imitadores de aves, parecidos com avestruzes) e o primitivo pássaro Archaeopteryx, que evoluiu a partir dos terópodes carnívoros de menor tamanho.O bulbo olfativo é a parte do cérebro associada ao olfato. Naturalmente, o cérebro não se conserva, mas graças à tecnologia TAC (tomografia axial computadorizada), hoje é possível analisar o crânio - caso esteja em bom estado - e estimar como ele era.Zelenitsky, autora principal do estudo, explica que a fama de carniceiro do Tiranossauro provém de seu agudo olfato rastreador, o que não corresponde com o que se pode observar nos animais atuais."Os bulbos olfativos de grande tamanho são encontrados em pássaros e mamíferos atuais que dependem em grande parte de seu olfato para encontrar carne, em animais que são ativos durante a noite e naqueles que patrulham áreas extensas", explica a paleontóloga.Assim, o T-Rex devia utilizar seu aguçado nariz para encontrar suas presas, embora não por isso renunciasse a buscar carne morta de graça.O estudo foi publicado nesta terça-feira, 28, pela revista britânica Proceedings of the Royal Society B.(Fonte: Estadao.com.br)

Fóssil traz pistas sobre a transição da vida para a terra

Os primeiros animais a sair dos oceanos para colonizar a terra firme não só trocaram nadadeiras por patas, mas também tiveram de adaptar os ossos da cabeça para a vida na superfície.É o que mostra um novo estudo dos fósseis do peixe Tiktaalik roseae, realizados desde 2004 na Ilha Ellesmere, no ártico canadense, e publicados na edição desta semana da revista Nature.A equipe de cientistas, dirigida por Ted Daeschler, da Academia de Ciências naturais de Filadélfia, e Neil Shubin, da Universidade de Chicago, examinou em detalhes os ossos da cabeça desse animal, que viveu há cerca de 375 milhões de anos.O tiktaalik era um peixe com pulmões, predador, mas com características bem particulares: tinha brânquias, escamas e espinhos nas nadadeiras, mas crânio, costelas e apêndices semelhantes aos dos primeiros animais quadrúpedes.O tiktaalik é considerado um fóssil de transição entre mar e terra. De grandes proporções - media de 1 metro a 2,75 metros - e com cabeça e corpo planos, acredita-se que vivia em águas rasas e caminhava sobre a terra por curtos períodos. De acordo com o principal autor do novo estudo sobre o fóssil, Jason Downs, as características craniais dos animais terrestres foram, primeiro, adaptações à vida em águas rasas. A caixa craniana, o palato e os arcos branquiais do tiktaalik, disse o cientista, ajudam a ver como se deram essas transformações.As mudanças, complexas, levaram a uma reestruturação completa dos ossos da cabeça e da relação ente eles. Um exemplo é o osso que, nos peixes, conecta a caixa craniana, o palato e as brânquias, coordenando os movimentos para comer e respirar.Com a mudança de habitat, essa peça, o osso hiomandibular, perdeu sua função original. Hoje, nos mamíferos, ele se converteu no estribo, um dos ossos do ouvido interno.

Cheiros jurássicos

Embora hoje se conheça razoavelmente como era o estilo de vida dos dinossauros – onde viviam, o que comiam, como se moviam –, pouco se sabe sobre seu olfato. Mas um novo estudo começa a mudar o cenário.Conduzido por pesquisadores da Universidade de Calgary e do Museu Real Tyrrell, no Canadá, o trabalho enfocou a capacidade olfativa de dinossauros carnívoros e de aves primitivas e foi publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.Segundo o estudo, o melhor olfato pertenceu ao tiranossauro (Tyrannosaurus rex), o que apóia a corrente que afirma ter sido o gigantesco animal um caçador, ao contrário de outros paleontólogos que bancavam a preferência por se alimentar de animais mortos.Os cientistas avaliaram a importância do olfato entre vários tipos de dinossauros carnívoros, com base em seus bulbos olfativos, a parte do cérebro associada com o olfato. Embora os cérebros dos dinossauros não tenham sido preservados, as impressões deixadas em ossos do crânio ou o espaço interno permitem estimar os tamanhos e formas de diferentes partes do cérebro.Os pesquisadores usaram tomografia computadorizada para medir os crânios de uma ampla variedade de dinossauros terópodes, como os raptors, e a ave primitiva Archaeopteryx.“Grandes bulbos olfatórios são encontrados em aves e mamíferos atuais que dependem da capacidade de distinguir cheiro para encontrar carne e também em animais ativos à noite e naqueles que se deslocam por áreas extensas. Embora o T. rex não dispensasse um animal morto se deparasse com um, ele pode ter usado seu olfato aguçado para caçar à noite ou para navegar por grandes territórios em busca de presas”, disse Darla Zelenitsky, da Universidade de Calgary, um dos autores do estudo.Além de descobrir pistas sobre a biologia e o comportamento de predadores pré-históricos, os pesquisadores também encontraram dados surpreendentes sobre a capacidade olfativa dos ancestrais das aves modernas.O estudo indicou que o Archaeopteryx, ave que viveu na atual Alemanha há cerca de 150 milhões de anos e conhecida por ter evoluído a partir de pequenos dinossauros carnívoros, tinha um bulbo olfativo com tamanho comparável ao da maioria dos dinossauros terópodes. O olfato aguçado não se manteve nas aves atuais.“Os resultados indicam que o olfato em aves antigas não era inferior ao dos dinossauros carnívoros. Embora tenha sido apontado anteriormente que o olfato era menos importante do que a visão nos ancestrais das aves atuais, nosso estudo indica o contrário. O Archaeopteryx enxergava bem, mas também tinha uma capacidade olfativa notável. (Fonte: Agência Fapesp)

Urubu pré-histórico gigante habitou Minas Gerais

Tem gente que morre e vira nome de praça. O antropólogo mineiro Walter Alves Neves, por enquanto, não teve essa honra. Em compensação, aos 51 anos de idade já virou nome de urubu. Mais precisamente, de um urubu extinto.Antes que você ache que é pouca coisa, saiba que o Pleistovultur nevesi, ou "urubu pleistocênico de Neves", não era um urubu qualquer. Com cerca de 2,5 metros de uma ponta da asa à outra, tinha quase o tamanho de um condor-dos-andes, a maior ave de rapina existente. Deixava no chinelo o urubu-rei, hoje o maior representante do grupo no Brasil.Esse carniceiro avantajado planava sobre os céus de Minas Gerais durante a Era do Gelo, há mais de 10 mil anos. Provavelmente disputava com os próprios condores (que também existiram por aqui) e com outros abutres as carcaças de mastodontes, preguiças-gigantes e demais grandes mamíferos que pastavam na América do Sul naquele Período, também chamado Pleistoceno.A descoberta do Pleistovultur, relatada na última edição do periódico científico argentino "Ameghiniana", fornece uma janela preciosa para o entendimento da ecologia sul-americana na pré-história.E ela só foi possível porque Neves doou um fóssil do animal, achado por seu aluno Alex Hubbe numa caverna em Lagoa Santa (MG), a um especialista em aves fósseis."É um único osso da perna, mas é mais do que suficiente para descrever um gênero novo", diz o paleontólogo Herculano Alvarenga, diretor do Museu de História Natural de Taubaté (interior paulista) e um dos principais --e poucos-- estudiosos de aves extintas do mundo. Ele é o autor principal do artigo científico que apresenta a nova espécie, e da homenagem dúbia ao colega, professor da USP."Quero ver só a cara do Walter Neves quando souber que usei o nome dele num urubu", diverte-se. "Não duvido que até goste", afirma."Melhor se fosse uma arara, um papagaio, até um periquito estava de bom tamanho. Mas não, tinha de ser justo um paleourubu", ri Neves, que há duas décadas revira as cavernas de Lagoa Santa, em Minas Gerais, atrás de vestígios de homens pré-históricos, possíveis repastos do Pleistovultur."O que é emocionante mesmo é saber que existem espécies novas que ainda podem ser encontradas em Lagoa Santa. Jamais achei que isso pudesse acontecer. E jamais achei que alguém pudesse descrever uma espécie nova em minha homenagem", continua. "Já posso morrer tranqüilo."Passado rico - A crise para esses animais começou no final do Pleistoceno, por uma razão simples: com a extinção da megafauna (os grandes mamíferos), por razões ainda controversas, os abutres começaram a ficar sem carniça. Esse é um dos motivos pelos quais os abutres estão declinando hoje na África."O que a gente vê claramente é que havia uma diversidade muito maior no passado", afirma a ornitóloga da USP Elizabeth Höfling, também autora do trabalho.Alvarenga confirma que a diversidade de espécies de urubu nas Américas era muito maior na pré-história, do mesmo jeito que hoje o continente com o maior número de espécies de abutre é a África.O mesmo artigo científico que descreve o P. nevesi também identifica um possível gênero novo sul-americano, representado mais uma vez por um único osso da perna, encontrado numa caverna em Morro do Chapéu, Bahia."Como ele estava quebrado, em mau estado, não quis dar nome (à espécie)", diz o pesquisador. Juntos, os dois achados dobram a diversidade de urubus pré-históricos na América do Sul. Até agora haviam sido descritos dois gêneros extintos, que conviveram no Pleistoceno com os cinco gêneros atuais. (Fonte: Claudio Angelo/ Folha Online)

Pesquisadores brasileiros comemoram a descoberta rara de um fóssil

Trezentos e cinqüenta ossos, incluindo os ossículos do ouvido que medem um centímetro. A estrutura faz parte de um esqueleto praticamente completo de uma preguiça gigante que nunca foi estudada pelos pesquisadores. Ela possui quase três metros de comprimento e foi descoberta em uma gruta no interior da Bahia. O pesquisador Cástor Cartelli e colegas da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) afirmou que nenhum mamífero da espécie descoberto até hoje se compara a esse.Segundo estudiosos, apenas nos Estados Unidos, no Caribe e na Argentina foram encontrados ossos que se assemelham a essa espécie -- ela viveu há 11 mil anos. Agora, os pesquisadores estão trabalhando na montagem final que levou quase anos para ficar pronta. Em seguida, será exposta no Museu de Ciências Naturais da universidade..A preguiça gigante era jovem, devia ter entre cinco e seis anos porque as articulações estavam começando a se unir. O pesquisador ainda quer descobrir como o bicho se movimentava e o parentesco com outras espécies. Pela cauda, vai ser possível definir se era aquático.(Fonte: G1)